O mercado imobiliário de Punta del Este passa por uma fase de grandes investimentos, marcada pela disputa entre empreendimentos de hospitalidade de luxo. Nesse cenário, o SLS Punta del Este, iniciativa da incorporadora argentina GNV Group, busca consolidar seu espaço na Playa Brava, onde vizinhos como os projetos liderados por Fasano, da JHSF, e Cipriani movimentam centenas de milhões de dólares. Para alcançar esse objetivo, a empresa direciona suas fichas para um público que ganha cada vez mais destaque no litoral uruguaio: os compradores do Brasil.

Investimento milionário na Playa Brava

A GNV Group aplicou cerca de US$ 160 milhões no complexo de uso misto situado na Playa Brava, que vai abrigar hotel, residências, opções gastronômicas, varejo e espaços de bem-estar distribuídos em duas torres de 24 andares. A marca SLS pertence à Accor, enquanto a gestão hoteleira ficará a cargo da Hotel Equities. A conclusão da obra está agendada para abril de 2029.

O segmento de branded residences tem valor geral de vendas estimado em US$ 200 milhões e já comercializou 41% das unidades da primeira torre, a única disponível para venda no momento. As vendas começaram há um ano e meio, em um projeto visitado pela reportagem a convite do GNV Group.

Concorrência com Cipriani e Fasano

O lançamento do SLS ocorre em um dos períodos mais aquecidos da história imobiliária local. A apenas 400 metros do SLS, na Playa Brava, o grupo italiano Cipriani constrói um complexo de ultraluxo no antigo Hotel San Rafael, englobando hotel, cassino e torres residenciais como parte de um aporte superior a US$ 500 milhões.

Simultaneamente, o grupo brasileiro JHSF investiu US$ 160 milhões para comprar o tradicional Enjoy Punta del Este, localizado a 2,5 km do SLS, com planos de destinar até US$ 500 milhões extras para transformá-lo no Complexo JHSF Península. O local contará com hotel Fasano, cassino, casa de espetáculos, shopping, gastronomia e área residencial.

Estratégia de posicionamento e preços

Frente a essa concorrência de altíssimo padrão, a GNV adotou uma faixa intermediária, disponibilizando um produto de entrada mais acessível que os concorrentes. Enquanto o SLS inicia as vendas em US$ 313 mil, o Cipriani foca no ultraluxo, com residências a partir de cerca de US$ 2 milhões e penthouses superiores a 1.600 m².

“Existe público para todos esses produtos. Nosso posicionamento é diferente”, afirma Ginevra, que aposta nos brasileiros para atingir suas metas de vendas. Para isso, a companhia firmou parceria com a imobiliária Coelho da Fonseca.

A força dos investidores brasileiros

Atualmente, os brasileiros representam 37% dos compradores das unidades comercializadas no SLS Punta del Este, panorama alinhado aos dados oficiais da região. Conforme levantamento da Câmara Imobiliária de Punta del Este-Maldonado citado pela Coelho da Fonseca, a fatia de compras de imóveis por brasileiros saltou de 4% a 5% para 7% a 8%. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, esse público adquiriu entre 1.100 e 1.300 imóveis na área.

“Inicialmente vendíamos mais para uruguaios e argentinos. Depois tivemos compradores americanos e europeus. Agora a participação dos brasileiros é bastante relevante”, diz Ginevra.

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Os investidores do Brasil lideram as aquisições no empreendimento, priorizando unidades compactas focadas em retorno financeiro e valorização. “Hoje a maior parte dos compradores é formada por investidores. O produto mais procurado é o junior one-bedroom. As pessoas compram pensando tanto na valorização do imóvel quanto no programa de locação”, diz Ginevra.

A tipologia mais vendida, o “junior one-bedroom”, tem 68 m² e preço inicial de US$ 313 mil (cerca de R$ 1,6 milhão). Unidades de um dormitório começam em US$ 415 mil, e as de dois dormitórios partem de US$ 783 mil. Na segunda torre, ainda fechada para vendas, os valores sobem de US$ 590 mil para 131 m² até US$ 2,4 milhões na cobertura mais cara, com 296 m².

Retorno financeiro e mudança de perfil

O modelo comercial se apoia no programa de locação gerido pela bandeira hoteleira, permitindo que o dono utilize o imóvel em períodos específicos e o alugue no restante do ano, com expectativa de retorno anual em dólar de 6% a 8%.

De acordo com Álvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca, o perfil do comprador brasileiro evoluiu da busca por casas de veraneio para objetivos como diversificação e proteção de patrimônio, planejamento sucessório e residência fiscal. “O cliente procura um projeto completo, com serviço, conveniência, qualidade construtiva e uma comunidade alinhada ao seu estilo de vida”, afirma.

A estabilidade do Uruguai também motivou a família Ginevra. “Não era apenas um lugar para passar as férias. Começamos a perceber que algo estava mudando”, afirma Alejandro Ginevra, fundador e chairman do grupo.

Crescimento demográfico em Maldonado

Dados do Instituto Nacional de Estadística (INE) mostram que Maldonado passou de 172 mil para quase 213 mil habitantes entre 2011 e 2023, alta de 24%. Projeções apontam que a população chegará a 245 mil até 2045, consolidando a transformação de Punta del Este em um centro permanente de negócios, moradia e investimentos.