A Imersa, empresa focada na criação de um copiloto voltado para operações comerciais B2B, garantiu R$ 250 mil em sua rodada inaugural de investimentos. Com essa injeção de capital, o valuation da companhia atingiu a marca de quase R$ 4 milhões. O montante foi integralmente aportado por Flávio Szenkier, investidor-anjo que possui histórico em aportes na Tractian.
Estrutura do aporte e meta de expansão
O contrato financeiro foi dividido em dois momentos: a liberação imediata de R$ 250 mil e uma parcela adicional de R$ 100 mil que será liberada conforme o cumprimento de metas de desempenho previamente estipuladas com o investidor.
Conforme explica Perina Braga, CEO e cofundador da Imersa, a captação continua em andamento com o objetivo de atrair pelo menos mais R$ 500 mil. Apesar do prazo limite estipulado para maio de 2027, a expectativa da gestão é concluir esta fase de investimentos ainda no encerramento deste ano. Para alcançar o objetivo, a empresa mira novos investidores-anjo e mantém conversas ativas com fundos de investimento.
Da prestação de serviços ao desenvolvimento de software
Criada em 2023, a marca operou seus primeiros anos sem qualquer apoio financeiro externo. No período inicial, atuou prestando serviços voltados à geração de demanda e capacitação de times comerciais, acumulando mais de 100 clientes atendidos enquanto estruturava a própria tecnologia.
O formato baseado em serviços esbarrou em barreiras de escalabilidade. De acordo com o fundador, a capacidade operacional limitava-se a cerca de 20 empresas atendidas mensalmente sem perda de qualidade. Outro obstáculo consistia na retenção do aprendizado passado aos vendedores. “Passava um ou dois meses e o vendedor parava de operar com o que a gente tinha ensinado”, conta Perina, em entrevista ao Startups. Por causa dessas barreiras, a organização optou por pivotar o negócio para o setor de tecnologia.
Tecnologia própria e inteligência artificial
Sem orçamento inicial para ampliar o quadro de funcionários ou adquirir assinaturas corporativas de ferramentas de inteligência artificial, a startup estruturou uma engenharia interna fundamentada em agentes. O processo nasceu a partir do núcleo cognitivo concebido em 2024, base atual da tecnologia da empresa. Segundo Perina, o motor neurossimbólico — que une aprendizado de máquina e regras simbólicas — conta com a assinatura de um pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Como funciona o copiloto comercial
A ferramenta desenvolvida pela Imersa une capacitação contínua e monitoramento de performance. Durante os encontros virtuais ou presenciais, o sistema avalia diálogos em tempo real e apresenta em um painel métricas como o grau de interesse do prospect, objeções pendentes, pontos negativos da negociação e a chance de conversão.
Ao término de cada chamada, o profissional recebe um relatório detalhado com os equívocos cometidos. A partir disso, o software gera dinâmicas de roleplay baseadas nas dificuldades específicas do operador. A meta é permitir falhas durante a preparação, mantendo a segurança diante do cliente. Líderes de equipe também contam com um painel exclusivo para acompanhar a evolução dos colaboradores.
Na visão de Perina, a ferramenta atende melhor companhias de médio e grande porte, onde a gestão de vendas ainda se apoia fortemente na intuição dos gestores. “As empresas têm dados comerciais, mas não possuem inteligência comercial. Nossa plataforma foi pensada para que o vendedor passe a ter dados para a ação e deixe de depender apenas de intuição”, afirma.
O executivo também afasta o receio de que a inovação venha a substituir os trabalhadores. Como o temor em relação à IA é recorrente nas equipes, a proposta é posicionar o copiloto estritamente como suporte à rotina comercial.
Diferenciais de mercado e novos passos
Tendo como referências corporações norte-americanas como Gong e Hyperbound — cujos serviços podem ultrapassar a faixa de mil reais por usuário —, a Imersa destaca como ponto forte o fato de ter construído sua plataforma em português, adaptada ao cenário de um país em desenvolvimento.
Outro diferencial citado é a propriedade intelectual da tecnologia, em vez de depender apenas da revenda de modelos terceiros. Para fortalecer essa frente, os recursos captados serão direcionados para infraestrutura, contratação de cientistas de dados e aquisição de informações do mercado B2B, além da manutenção de parcerias acadêmicas.
O plano de crescimento exigiu ainda a mudança de endereço. A empresa migrou sua base de Mogi Guaçu (SP) para a capital paulista, integrando a La Fabrique, estrutura de inovação situada no STATE, hub independente na Vila Leopoldina. Contando atualmente com sete colaboradores, a organização planeja abrir outras sete vagas para fortalecer o escritório em São Paulo.










