A missão de observação eleitoral da OEA apontou que o ativismo político internacional durante a disputa eleitoral no país atingiu um patamar preocupante. Em relatório divulgado nesta terça-feira (6), o grupo destacou que houve um crescimento na tendência de líderes estrangeiros opinarem sobre pleitos em andamento na América Latina.

Ativismo internacional e insultos

O documento dedicou espaço à comunicação digital e à campanha, ressaltando que a atuação externa chegou ao “extremo de incluir insultos contra uma das candidaturas”. No entanto, o texto não especifica qual chapa foi alvo das ofensas nem aponta os autores dos ataques.

“Assim como já foi observado pelas MOEs da OEA em outras ocasiões, verifica-se uma tendência cada vez mais frequente de chefes de Estado fazerem declarações públicas sobre processos eleitorais em andamento em outros países do continente”, afirma o relatório.

A organização acrescenta: “A MOE/OEA observou que as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional e, inclusive, que, neste caso específico, esse ativismo chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas.”

Contraponto do tse e fake news

Apesar das constatações da missão internacional, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou em entrevista coletiva ao término do primeiro turno que “não foram constatados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro”.

Por outro lado, o relatório enfatiza que o período pré-eleitoral foi “marcado pela disseminação em massa de informações falsas”. A entidade classificou como “particularmente preocupante” a circulação de boatos e ataques infundados contra o sistema de votação, mesmo diante dos esforços institucionais e partidários para combater a desinformação.

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Composição e próximos passos

Liderada por José Miguel Insulza, ex-ministro das Relações Exteriores do Chile e ex-secretário-geral da OEA, a equipe contou com 91 observadores de 23 nacionalidades diferentes. O grupo realizou mais de cem reuniões com partidos, autoridades, candidaturas e membros da sociedade civil.

Após classificar o domingo de votação como um evento cívico e pacífico, a missão fez um apelo para a nova fase da disputa.

“Ao mesmo tempo, a Missão apela a todos os atores, nacionais e internacionais, para que ajam com responsabilidade e respeito às instituições brasileiras e à vontade soberana do povo”, diz o documento.

Os observadores retornarão ao país para monitorar a nova etapa do pleito, agendada para o dia 25 de outubro.