Os pequenos negócios exercem um papel fundamental na economia do Brasil, representando 93,8% das 24,2 milhões de empresas ativas no país durante o segundo quadrimestre de 2025, conforme dados do Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo. Apesar dessa expressiva proporção que evidencia a força do empreendedorismo nacional, a gestão concentrada nos proprietários e o enxuto quadro de funcionários tornam os primeiros anos de operação particularmente desafiadores para a sobrevivência dessas companhias.
O papel estratégico do crédito orientado
Para transformar planos em ações concretas, o crédito produtivo orientado surge como um instrumento vital. Ele viabiliza a aquisição de equipamentos, a ampliação da capacidade produtiva, a reforma de espaços e o lançamento de novos produtos. Por meio de orientações especializadas para avaliar demandas, organizar o fluxo financeiro e estruturar o planejamento de pagamentos, os empreendedores conseguem tomar decisões mais assertivas e condizentes com a realidade de seus empreendimentos.
Resiliência e diversificação no setor de eventos
Na cidade fluminense de Petrópolis, o empresário Rodrigo Lemos Knibel precisou adaptar drasticamente a atuação do Café e Pitanga — casa de festas focada em casamentos, formaturas, aniversários de 15 anos e encontros corporativos — diante de crises econômicas, da pandemia de COVID-19 e de fortes temporais. Com as atividades presenciais suspensas, o negócio sobreviveu graças à venda individual de itens do estoque e a entregas realizadas pelo próprio proprietário.
Um aporte inicial do Estímulo auxiliou na recomposição do caixa e na manutenção da empresa durante o período de incertezas. Posteriormente, a estratégia foi voltada para a diversificação: além do espaço físico e do buffet tradicional, o estabelecimento passou a comercializar doces finos e serviços de decoração. Com isso, a dependência exclusiva de casamentos diminuiu, abrindo espaço para um calendário mais diversificado com formaturas e confraternizações.
Atualmente, o negócio mantém cerca de seis colaboradores fixos, mas chega a mobilizar aproximadamente 30 profissionais em eventos comuns, alcançando a marca de 105 pessoas coordenadas em um único dia de formatura de grande porte. Um novo financiamento de R$ 25,6 mil, aprovado pelo Estímulo, será direcionado para reformar o espaço de festas e expandir o acervo de decoração temática, visando a personalização de experiências.
Superação e propósito na indústria de cosméticos
Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Thaís Elisabete do Amaral Wiater construiu uma marca própria de cosméticos a partir de um estímulo familiar inicial. Em 2018, seu pai sugeriu que ela e o marido, Cristian, criassem a própria linha de produtos em vez de atuar apenas como distribuidores. Embora tenha pesquisado os trâmites iniciais, o projeto foi pausado e retomado apenas em 2020, após o falecimento do pai, vítima de um confronto de rua. A nova marca foi batizada com o sobrenome da família.
“Não é apenas uma marca, é um propósito. É o que mantém meu pai vivo perto de mim”, diz Thaís.
A estrutura atual integra distribuição de produtos de terceiros, linha própria, loja virtual, vendas diretas e um centro de treinamento vinculado ao salão de beleza da fundadora. O conhecimento prático como cabeleireira facilita a demonstração dos itens e a troca de experiências com outros profissionais do setor. Para manter a operação enxuta, o casal divide as frentes criativa, financeira e comercial com suporte esporádico de parentes, enfrentando desafios como concorrência, custos fabris, tributação, inadimplência e volatilidade na demanda.
O próximo passo estratégico da companhia é a introdução gradual de uma linha própria de coloração com cerca de 60 tonalidades. Para acelerar esse projeto, um crédito produtivo orientado de R$ 40 mil concedido pelo Estímulo financiará o desenvolvimento dos novos itens, cuja apresentação ocorrerá em feiras e cursos voltados para especialistas da beleza.
Conclusão e continuidade empresarial
A trajetória de negócios de diferentes portes demonstra que o financiamento está intrinsecamente conectado a metas práticas: proteger o caixa em fases sem faturamento, revitalizar infraestruturas ou diversificar portfólios. Contudo, as vivências de Rodrigo e Thaís comprovam que o recurso financeiro deve vir acompanhado de gestão eficiente — diversificando receitas, conhecendo o público-alvo, contendo despesas e planejando os meses de baixa sazonalidade.










