Os levantamentos de intenção de voto mais recentes mostram que a disputa pelos governos estaduais pode ser liquidada logo na primeira etapa em ao menos 14 unidades da federação. Esse fenômeno é impulsionado tanto por postulantes que construíram ampla distância sobre os rivais quanto por uma polarização extrema entre os dois primeiros colocados, o que praticamente esvazia candidaturas alternativas.

Vantagem expressiva abre caminho para vitória antecipada

Fora da região Nordeste, diversos postulantes construíram margens robustas na reta final da campanha. No maior colégio eleitoral do país, São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com 44% na Quaest, enquanto Fernando Haddad (PT) soma 24%. Como os demais concorrentes acumulam apenas 4%, o atual chefe do Executivo paulista tem números suficientes para tentar resolver o pleito de forma direta.

Situação semelhante ocorre em Santa Catarina, onde Jorginho Mello (PL) registra 54%, e em Mato Grosso do Sul, com Eduardo Riedel (PP) marcando 51%. Lideranças confortáveis também são observadas no Amapá, com Dr. Furlan (PSD), e em Roraima, sob a condução de Arthur Henrique (PL).

Nordeste se consolida como polo das disputas mais acirradas

Em contraste com os estados praticamente definidos, os estados nordestinos concentram o maior contingente de votações abertas, servindo de palco decisivo também para a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem intensificado agendas para reforçar seus correligionários.

Na Bahia, a Quaest registra ACM Neto (União Brasil) com 42%, ligeiramente à frente de Jerônimo Rodrigues (PT), que marca 40% — empate técnico que leva a oposição a focar no eleitor lulista não ideológico. No Ceará, o Datafolha traz Ciro Gomes (PSDB) com 44% e Elmano de Freitas (PT) com 43%. A temperatura também segue alta em Pernambuco, onde João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) aparecem rigorosamente empatados com 42% no primeiro turno e com 44% nas simulações de confronto direto.

Em Alagoas, o duelo polarizado fica entre JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB). A exceção à regra regional reside no Piauí, onde Rafael Fonteles (PT) alcança 55% pelo Datafolha contra 25% de Joel Rodrigues (PP), despontando como favorito a liquidar a fatura. Cenários de desfecho rápido também são observados em Sergipe, Maranhão e Paraíba, enquanto o Rio Grande do Norte deve ir à segunda rodada diante da divisão entre Allyson Bezerra (39%), Cadu de Lula (21%) e Álvaro Dias (18%).

Indecisão empurra grandes centros para a segunda rodada

Em outros 12 estados e no Distrito Federal, as projeções estatísticas favorecem a extensão do calendário eleitoral. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) desponta na dianteira (37% na Quaest e 40% no Datafolha), seguido por Patrus Ananias (PT), com 18%, Alexandre Kalil (PDT), com 9%, Mateus Simões (PSD), com 6%, e Flávio Roscoe (PL), com 5%, margem que não garante encerramento precoce.

Leia também

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera com 34%, mas vê a aproximação de Douglas Ruas (PL), com 25%, e Anthony Garotinho (Republicanos), com 9%, sob uma fatia de 14% de eleitores indecisos. Já no Paraná, Sergio Moro aparece em primeiro lugar com 36%, enquanto Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) dividem o segundo posto com 20% cada.

O Distrito Federal, onde Celina Leão (PP) lidera sob desgaste decorrente do caso BRB-Master, e o Rio Grande do Sul igualmente mantêm desfechos imprevisíveis.

Desempenho de governadores que assumiram mandatos tampão

O cenário nacional traz ainda uma particularidade: dez governadores que herdaram o cargo após cassações ou renúncias buscam novo mandato nas urnas. Desses, seis lideram suas disputas.

Estão na ponta nomes como Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; Mailza Assis (PP), no Acre; Daniel Vilela (MDB), em Goiás; e a própria Celina Leão, no DF. Em Mato Grosso e no Espírito Santo, Otaviano Pivetta (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) sustentam vantagens numéricas que ainda configuram empate técnico. Em contrapartida, postulantes como Mateus Simões (MG), Roberto Cidade (AM), Hana Ghassan (PA) e Soldado Sampaio (RR) chegam aos momentos decisivos correndo atrás dos favoritos.