A volatilidade ganhou espaço na reta final antes do primeiro turno. Na última sessão da Bolsa antes da votação, o Ibovespa superou os 190 mil pontos, mas também chegou a recuar aos 186,1 mil pontos. Além da proximidade das urnas, o mercado repercute o payroll dos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas e mexeu com juros, dólar e ativos de risco. Na véspera, outro termômetro já havia enviado um sinal relevante. O S&P/B3 Ibovespa VIX (VXBR), conhecido como VIX Brasil ou “índice do medo”, fechou aos 32,39 pontos, maior nível desde sua criação, em março de 2024. Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa, o indicador mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias.
Comportamento histórico da volatilidade eleitoral
Segundo Fábio Figueiredo, o Vlad, a volatilidade realizada do Ibovespa em 2026 vinha abaixo da média observada nos anos eleitorais anteriores. Ao mesmo tempo, a volatilidade implícita nas opções já apontava expectativa mais elevada de oscilação. O primeiro estudo apresentado por Vlad compara a volatilidade realizada do Ibovespa com o comportamento médio registrado nos anos de eleição presidencial. No gráfico, a linha azul representa o padrão dos ciclos anteriores, enquanto a laranja acompanha as oscilações de 2026 no período analisado.
“Então a linha azul é a volatilidade dos anos eleitorais passados, e a linha laranja é a volatilidade de 2026”, explica. Historicamente, o aumento das oscilações começa antes da votação. Na leitura de Vlad, isso ocorre à medida que investidores ajustam posições e diferentes cenários passam a ser incorporados aos preços. “Então a volatilidade, como eu coloquei, ela tende a subir um pouquinho antes das eleições”, afirma.
No padrão histórico apresentado pelo analista, a curva acelera em setembro e permanece elevada durante outubro, antes de perder força posteriormente. “Ela tende a marcar topo justamente no final de setembro com mês de outubro”, observa. No período analisado, porém, a linha de 2026 permanecia abaixo da curva histórica, indicando que os movimentos efetivamente registrados pelo Ibovespa ainda eram menos intensos do que a média dos anos eleitorais utilizados no estudo. “A volatilidade atual de 2026 está abaixo do que na média se comportou”, destaca Vlad.
O VIX Brasil e a volatilidade implícita
O primeiro gráfico olha para movimentos que já aconteceram. Para observar as expectativas incorporadas aos preços, Vlad direciona a análise para a volatilidade implícita das opções. “O que ele trouxe ali é a volatilidade realizada, que é a volatilidade histórica calculada do Ibovespa”, explica. É nesse ponto que entra o VXBR, indicador calculado a partir das opções sobre o Ibovespa e inspirado na metodologia do VIX americano. “Então esse aqui é o VXBR, que é o VIX do Brasil”, resume Vlad.
Na análise apresentada no programa, o indicador aparecia próximo de 30,40 pontos, já em uma região elevada. “E essa aqui já não está tão alta, está na máxima, pelo menos nos últimos dois anos”, destaca. Depois disso, o indicador avançou ainda mais, estabelecendo um novo recorde histórico desde seu lançamento. Níveis acima de 30 pontos são geralmente associados a cenários de maior turbulência e incerteza, com possibilidade de movimentos mais expressivos nos preços dos ativos.
Diferença entre volatilidade realizada e implícita
A diferença entre os dois gráficos não representa uma contradição. A volatilidade realizada mede a intensidade das oscilações que o Ibovespa efetivamente apresentou, baseando-se no comportamento já observado dos preços. A volatilidade implícita, por outro lado, é extraída dos preços das opções e reflete a intensidade de oscilação esperada pelo mercado para os próximos períodos. Por isso, as duas medidas podem seguir caminhos diferentes. A movimentação também aparece em outros segmentos do mercado de derivativos. No EWZ, um dos principais ETFs de ações brasileiras negociados nos Estados Unidos, o estoque de opções cresceu nos últimos meses. As calls em aberto chegaram a cerca de 7 milhões no fim de setembro, ante aproximadamente 3 milhões em julho, enquanto as puts passaram de 1,2 milhão para 2,2 milhões.
Estratégias e riscos no mercado de opções
Para Vlad, o comportamento da volatilidade antes das eleições traz outro ponto importante: quando aumenta a expectativa de movimentos mais intensos, parte desse cenário pode aparecer nos preços das opções antes de a votação ocorrer. “O ponto chave é: tende a subir antes das eleições”, afirma. Isso ajuda a explicar por que identificar corretamente um período potencialmente mais volátil não significa, por si só, que uma estratégia montada a partir dessa percepção terá resultado positivo.
Quando a volatilidade implícita já está elevada, os prêmios das opções também podem refletir parte relevante da expectativa sobre o evento. “Por isso que não se compra Vol antes das eleições, porque a Vol já sobe antes, a menos que você compre bem antes”, argumenta Vlad. O analista relaciona essa conclusão a uma experiência própria na eleição de 2014, quando comprou volatilidade esperando movimentos intensos no mercado. “Então, eu comprei volatilidade em 2014, eu aprendi, eu sobrevivi, eu aprendi”, recorda.
O recorde do VXBR mostra que a volatilidade implícita chegou ao maior patamar desde a criação do indicador, mas o dado, isoladamente, não determina a direção do Ibovespa nem funciona como sinal automático para uma operação. Estratégias de compra e venda de volatilidade apresentam riscos diferentes, e Vlad chama atenção especialmente para operações de venda, que podem sofrer perdas relevantes caso os movimentos do mercado sejam maiores do que os incorporados inicialmente aos preços. “Eu gosto muito de vender volatilidade, mas não faça isso sem um adulto por perto, tá? Pode dar muito problema, você pode quebrar. Cuidado”, alerta.










