Uma queda repentina de mais de 4,2 mil metros de altitude em apenas 30 segundos, a exemplo do incidente recente envolvendo uma aeronave da Flydubai, submete o organismo a níveis extremos de estresse.
Impactos na coluna e riscos de AVC
As intensas forças de desaceleração e os movimentos violentos da cabeça e do pescoço podem desencadear traumatismos cranianos ou cervicais, mesmo sem que haja batidas diretas contra a estrutura da cabine.
A flexão ou rotação acentuada do pescoço tem potencial para lesionar as artérias carótidas ou vertebrais, gerando a chamada dissecção arterial. O quadro pode comprometer o fluxo sanguíneo e elevar as chances de um acidente vascular cerebral, embora seja uma complicação incomum dependente da intensidade da força mecânica.
Pressão atmosférica e o sistema auditivo
A estabilidade do ambiente interno do avião é determinante para proteger a saúde neurológica dos passageiros durante episódios de despressurização.
Sobre essa questão, o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola afirmou: “Se houver uma alteração importante na pressurização da cabine, pode ocorrer redução da disponibilidade de oxigênio. Como o cérebro é um dos órgãos mais sensíveis à hipóxia, o passageiro pode apresentar tontura, confusão mental, dificuldade de raciocínio e, em casos extremos, perda de consciência”.
Além disso, a alteração brusca na pressão do ar afeta cavidades corporais como os seios da face e o ouvido médio, provocando o barotrauma, que pode resultar em dores fortes e lesões na membrana do tímpano. O sistema vestibular, encarregado pelo equilíbrio, também pode sofrer instabilidades temporárias e gerar quadros de vertigem.
Reações do organismo e adrenalina
Situações de perigo extremo ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelo modo de sobrevivência do corpo humano. Ocorre uma descarga imediata de adrenalina, acelerando os batimentos cardíacos, a respiração e elevando a pressão arterial.
Essas alterações físicas geram estado de alerta máximo, sensação de pavor, tremores e dificuldades de concentração. A hiperventilação provocada pelo pânico também costuma causar formigamentos e tonturas, embora sejam respostas fisiológicas normais ao susto.
Quando buscar atendimento médico
Indivíduos que enfrentam episódios de turbulência severa ou perda drástica de altitude devem observar o próprio estado de saúde nos dias seguintes, especialmente se sofreram impactos ou movimentos bruscos.
Sintomas como perda de força em um dos lados do corpo, dores de cabeça intensas, vômitos repetidos, confusão mental, vertigem persistente ou zumbido contínuo exigem avaliação médica imediata.










