O confronto entre os postulantes ao governo pernambucano, realizado pela TV Globo, reuniu Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) para discutir pautas como mercado de apostas virtuais, saúde pública e proteção às mulheres.

Estrutura do debate em blocos

A programação foi dividida em quatro etapas com formatos distintos. Inicialmente, as questões seguiram temas determinados por sorteio. Na segunda fase, os postulantes tiveram liberdade para escolher os assuntos. O terceiro momento focou em demandas específicas de áreas geográficas do estado ao longo de duas rodadas, enquanto a etapa final alternou temas livres com as considerações finais de cada participante.

Discussão sobre o mercado de apostas e isenções fiscais

A abertura do evento girou em torno das plataformas de apostas online. O assunto surgiu após Ivan Moraes questionar João Campos sobre a redução tributária voltada a essas empresas adotada durante sua gestão na Prefeitura do Recife, indagando se ele se arrependia da decisão. João negou qualquer vínculo com o setor e defendeu sua postura.

“Primeiro deixar muito claro: eu sou contra as bets. É uma inverdade dizer que eu sou parceiro de bet. Claro que não, Ivan. […] Depois que o presidente Lula [regulamentou] as bets no Brasil, as cidades precisaram adequar suas legislações […] O Recife adequou a legislação para garantir que pudesse arrecadar isso. Agora eu quero parabenizar o presidente Lula que a minha posição pessoal é contrária”, declarou o ex-prefeito da capital.

Na sequência, o candidato do PSOL contestou a justificativa da prefeitura para a isenção.

“Essa história da bet é curiosa mesmo, porque no projeto de lei que tu enviou pra Câmara, tu dizia que queria fazer com que Recife atraísse mais bets, que são empresas que geram muito pouco emprego, arrecadavam pouco, porque tu deu de presente para elas, deu 3% de presente e elas patrocinaram praticamente todas as festas que você fez enquanto era prefeito”, enfatizou o candidato do PSOL.

Confronto sobre gestão e entregas administrativas

Leia também

Na segunda fase, de tema livre, João Campos questionou Raquel Lyra acerca da ausência de inaugurações de escolas técnicas e delegacias especializadas no atendimento à mulher ao longo de sua administração. A governadora atribuiu o cenário a heranças de gestões passadas, mencionando o período em que o adversário atuou como chefe de gabinete de Paulo Câmara. O bloco também incluiu críticas de Ivan Moraes a projetos urbanísticos e ambientais no estado.

Debates regionais e demandas locais

O terceiro segmento direcionou os questionamentos para regiões previamente sorteadas. No Litoral, Raquel Lyra cobrou João Campos sobre a conservação de rodovias em mandatos anteriores, ao que o socialista respondeu classificando a manutenção viária como dever do Executivo estadual. A troca de farpas seguiu com discussões sobre a engorda da praia de Boa Viagem e a criação de unidades de saúde no Grande Recife.

Outros territórios também entraram em pauta, como a Zona da Mata Sul, onde a economia e a conclusão de barragens pós-enchentes foram debatidas, e o Sertão, focado no fornecimento hídrico. No encerramento desta etapa, após ser alvo de duras críticas da governadora, João Campos teve direito de resposta e enfatizou a necessidade de civilidade na política.

Proteção à mulher e direitos civis no encerramento

A última parte do programa abordou prioridades voltadas à segurança feminina. Raquel Lyra mencionou a filiação partidária de um político condenado por agressão dentro da legenda de seu opositor, que rebateu citando providências de expulsão e resgatando declarações antigas da adversária. O debate encobriu ainda temas como o direito ao aborto legal e propostas para a expansão de delegacias especializadas e da rede sanitária.