A equipe de campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apontou o influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido nacionalmente como o criador do perfil “Dilma Bolada”, como o responsável pela postagem inicial que deu início à disseminação de uma informação falsa nas redes sociais. O boato associou incorretamente o nome do político a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Investigação e monitoramento digital De acordo com o levantamento realizado pelo núcleo estratégico da campanha, a publicação original foi feita na rede social X às 21h50 de uma quarta-feira (23). O monitoramento indicou que, apenas seis minutos depois, outros perfis começaram a amplificar o tema de forma sistemática.

“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!”, diz a publicação.

Os advogados do candidato acionaram o procurador-geral eleitoral com uma notícia-crime contra os responsáveis pelos perfis envolvidos na propagação da mentira.

“Nesse particular, vale ressaltar que o exíguo lapso temporal entre a gênese da mentira e a sua disseminação, inclusive com ilustração contendo reprodução de imagem do noticiante elaborada por inteligência artificial, demonstra não se tratar de um comportamento orgânico, mas sim de uma campanha estruturada de propagação de fake news por intermédio das redes sociais”, aponta o documento jurídico.

Contexto da desinformação e projeto antigo A narrativa mentirosa também resgatou um antigo projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha alterar a expressão “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta, contudo, foi arquivada no ano seguinte sem qualquer ligação com Flávio Bolsonaro.

Diante do alcance de postagens que ultrapassaram milhões de visualizações, a defesa acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), obtendo uma decisão favorável do ministro André Mendonça para a remoção dos conteúdos falsos.

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Pedido de prisão contra servidor do Planalto Além das medidas contra os influenciadores, a equipe jurídica solicitou a prisão preventiva e busca e apreensão contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom da Presidência da República, sob a acusação de incentivar a propagação da mentira.

“Não se trata de opinião. Trata-se de um plano”, afirma a notícia-crime protocolada pela defesa.

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência rebateu as acusações e classificou o pedido como injusto e arbitrário, destacando que a manifestação do servidor ocorreu em caráter pessoal e fora do expediente.

“O Governo Federal reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros e manifesta repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro”, declarou a Secom.