Carregar o smartphone com uma bateria externa tornou-se um hábito comum no dia a dia, mas o receio sobre possíveis danos ao aparelho continua vivo, especialmente após incidentes recentes de incêndios envolvendo carregadores portáteis em trens e aeronaves.

O mito do vício e o funcionamento das baterias

A crença de que o equipamento perde a capacidade de retenção por ser utilizado durante a recarga é uma herança de tecnologias ultrapassadas que não se aplicam aos modelos atuais de íons de lítio.

“Utilizar o celular enquanto ele está conectado a um power bank não faz com que a bateria fique ‘viciada’”, explica Joelton Gotz, engenheiro de controle e automação, mestre em Engenharia Elétrica, doutor em Engenharia Mecânica e professor e pesquisador da PUCPR.

O especialista esclarece que a energia enviada pelo acessório é dividida entre alimentar os circuitos internos e abastecer o acumulador, sem alternância constante entre ciclos de carga e descarga.

O papel do calor no desgaste do componente

O verdadeiro perigo surge quando o aquecimento do smartphone aumenta de forma considerável, impulsionado por tarefas pesadas como jogos, navegação por GPS ou streaming prolongado.

“Como a temperatura é um dos principais fatores que influenciam o envelhecimento das baterias de íons de lítio, o eventual aumento do desgaste não decorre do uso simultâneo e do carregamento em si, mas do calor adicional gerado nessas condições.”

Riscos associados a carregadores de baixa qualidade

Além da temperatura, a procedência da bateria externa faz toda a diferença para a segurança do usuário e a integridade do eletrônico.

“É recomendado evitar o uso de powerbanks de procedência duvidosa, especialmente aqueles que não possuem certificações e mecanismos adequados de proteção elétrica”, alerta o engenheiro.

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Dispositivos sem selos de qualidade podem falhar em quesitos vitais como prevenção contra curto-circuitos, picos de tensão e superaquecimento, elevando os riscos de acidentes elétricos.

Como identificar o limite de temperatura do aparelho

Os próprios sistemas operacionais e hardwares modernos contam com recursos nativos para proteger o telefone contra danos térmicos severos.

“Normalmente os mecanismos de proteção do celular geram alertas como temperatura elevada, redução na velocidade ou interrupção do carregamento, redução significativa do brilho da tela ou do desempenho e em casos mais extremos o próprio desligamento.”

Caso o dispositivo apresente sinais físicos de calor excessivo ao toque, a recomendação é pausar o uso imediatamente e aguardar o resfriamento para evitar prejuízos à vida útil da bateria.