A Ucrânia acusou a Rússia de desrespeitar uma trégua no setor energético divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após uma série de bombardeios durante a madrugada e a manhã desta segunda-feira (12). Os ataques atingiram áreas urbanas e instalações de energia, resultando em múltiplas mortes e dezenas de feridos pelo país.
Reação de Kiev ao acordo inesperado
A declaração de que Kiev e Moscou haviam aceitado interromper investidas contra sistemas de energia pegou autoridades ucranianas e aliados europeus de surpresa, gerando forte ceticismo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, soube do suposto pacto pela imprensa e relatou que um drone atingiu uma instalação de gás à meia-noite, seguido por investidas contra um posto de gasolina.
“Houve violações russas do cessar-fogo energético anunciado pelo presidente Trump”, disse Zelensky, por videoconferência, durante uma conferência em Varsóvia.
O chefe de Estado ucraniano destacou que a paralisação dos ataques pode ajudar a encerrar o conflito, desde que os norte-americanos imponham o cumprimento por parte de Moscou. “Estamos aguardando os detalhes das condições acordadas entre norte-americanos e russos e esperamos ver uma medida específica que os norte-americanos estejam dispostos a tomar”, declarou. Além disso, ele pontuou que a nação não alvejou refinarias russas na madrugada, mas manteve a posição de que só cessará essas ações se os russos pararem de bombardear a rede elétrica ucraniana.
Posição do Kremlin e destruição em Kharkiv
Enquanto isso, o governo russo negou a proposta ucraniana para um cessar-fogo integral de 60 dias — que permitiria inclusive a realização de eleições no território ucraniano. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as tratativas sobre o tema seguem em andamento, mas rechaçou o formato sugerido.
“Nem o presidente (Vladimir) Putin nem autoridades de outros níveis querem um cessar-fogo. Queremos uma paz duradoura e estamos preparados para fazer todo o possível para alcançá-la”, declarou Peskov.
Na cidade de Kharkiv, equipes de socorro atuaram entre escombros após investidas noturnas que deixaram pelo menos três mortos. Novos disparos pela manhã atingiram moradias e feriram outras 22 pessoas. Moradores locais relataram o impacto dos estrondos logo após o anúncio da Casa Branca. Nataliia Minka relatou o momento em que um míssil atingiu a região onde estava com o filho: “Já haviam se passado dez minutos desde que prometeram que não atacariam instalações de energia”, disse Minka. “É tão aterrorizante, é impossível superar algo assim.”
Pressão de Washington e impacto econômico
A iniciativa de Donald Trump ocorre em um cenário de insatisfação do líder norte-americano com os danos causados por Kiev a refinarias e centros logísticos russos, ações que ele relaciona ao encarecimento dos combustíveis e do diesel. No sábado (10), Trump afirmou que Zelensky precisa “parar de uma vez por todas” os ataques às refinarias russas.
Fontes próximas ao caso indicam que os Estados Unidos ameaçaram cortar o repasse de dados de inteligência e o aval para o envio de armamentos adquiridos por nações europeias, intensificando a pressão sobre o governo ucraniano em meio ao prolongado conflito.










