Após registrarem quedas expressivas nos dois dias anteriores devido ao impacto do primeiro turno das eleições presidenciais, as taxas dos DIs de longo prazo encerraram a quarta-feira com avanço moderado, enquanto os vencimentos curtos mantiveram proximidade com a estabilidade.
Mercado monitora cenário externo e Treasuries Além da corrida eleitoral no país, o comportamento da curva sofreu influência direta da alta nos rendimentos dos Treasuries norte-americanos de longo prazo e das variações nas cotações do petróleo.
No encerramento da sessão vespertina, a taxa do DI para janeiro de 2028 ficou cotada em 12,600%, registrando leve queda de 1 ponto-base em relação aos 12,613% do ajuste prévio. Na extremidade longa, o contrato para janeiro de 2035 subiu 6 pontos-base, fechando a 12,79% frente aos 12,732% anteriores.
Impacto do primeiro turno na curva de juros Nos dias antecedentes, o contrato para janeiro de 2035 havia despencado 140 pontos-base no total, impulsionado pelo otimismo dos investidores decorrente da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira etapa do pleito.
O movimento refletiu a expectativa de parte expressiva do mercado de que uma eventual gestão de Flávio traria maior rigidez fiscal, viabilizando juros futuros menores.
Análise e exigências de analistas ‘A manutenção, ou mesmo continuidade, desse fechamento dos prêmios dependerá da atitude dos candidatos de apresentarem propostas concretas e executarem um plano para a condução da política fiscal nos próximos anos’, alertaram em relatório Maria Paolantoni, Mayara Rodrigues e Lucas Genoso, da área de renda fixa da XP.
Os especialistas acrescentaram: ‘Até o momento, ainda há incertezas relevantes sobre a composição das equipes econômicas e sobre as medidas que serão adotadas para assegurar uma trajetória sustentável para a dívida pública. Nesse contexto, embora o resultado eleitoral tenha reduzido parte dos prêmios de risco, a consolidação desse movimento dependerá da evolução do debate econômico ao longo das próximas semanas’.
Contexto internacional e política monetária dos EUA A alta contida nos DIs longos também acompanhou o avanço dos Treasuries e do petróleo Brent, este influenciado por temores geopolíticos envolvendo o Oriente Médio. O Federal Reserve divulgou ata indicando divisão entre dirigentes em setembro sobre a necessidade de novos apertos monetários.
Para Leonardo Mendes, economista da Manchester, a mensagem da ata foi de que os juros nos EUA seguirão elevados por mais tempo. “Para mercados emergentes, inclusive o Brasil, juros americanos persistentemente elevados significam maior competição pelo capital internacional e podem limitar movimentos mais fortes de valorização das moedas e de fechamento das curvas locais”, ponderou.
Perspectivas para a Selic Enquanto isso, a ponta curta da curva brasileira apontou viés de baixa, abrindo espaço para possíveis cortes na Selic pelo Banco Central em novembro e dezembro, dependendo do desfecho eleitoral e do patamar atual de 13,75% ao ano.










