As exportações de mercadorias brasileiras para a China registraram uma retração de 7,6% em setembro deste ano, somando US$ 7,89 bilhões. Em igual período de 2025, o montante havia atingido US$ 8,69 bilhões, de acordo com os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Por outro lado, o fluxo no sentido inverso apresentou alta. As importações de produtos chineses cresceram 12,6% no nono mês de 2026, totalizando US$ 7,06 bilhões, comparados aos US$ 6,377 bilhões registrados no ano anterior. Com esses números, a balança comercial brasileira com o parceiro asiático fechou o mês com um superávit de US$ 0,83 bilhão.
Fatores por trás da retração nas vendas Durante a entrevista coletiva sobre a balança comercial, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, detalhou que o recuo nas vendas externas foi puxado por reduções expressivas em importantes commodities, como carne bovina, soja, minério de ferro e milho.
No caso específico da carne bovina, a queda impressionante de 93,5% ocorreu porque o Brasil atingiu a cota comercial estabelecida. Essa marca gera a aplicação de uma sobretaxa sobre a proteína, o que desestimula e diminui o volume comercializado com o mercado chinês.
Desvio de rotas e impacto limitado Apesar da baixa acentuada nas negociações com os compradores asiáticos, parte desse excedente de carne bovina encontrou novos destinos em outros mercados internacionais.
“Esse volume, para os Estados Unidos, ajuda a mitigar essa queda, mas o tamanho do mercado não é suficiente para absorver todo esse volume que caiu mais de 90% para a China”, afirmou Herlon Brandão.
O diretor lembrou que o território chinês foi responsável por absorver 53% de toda a carne exportada pelo Brasil no ano passado. No setor de milho, a diminuição dos embarques pode estar associada ao aumento do consumo interno do grão. Já em relação à soja, o representante do governo avaliou que o país mantém alta competitividade global, tendo facilidade para redirecionar a oferta a outros compradores.
Desempenho positivo no acumulado de 2026 Apesar do resultado negativo em setembro, o balanço dos nove primeiros meses de 2026 permanece no azul para a relação bilateral. De janeiro a setembro, as vendas externas brasileiras para a China acumularam alta de 12%, alcançando US$ 84,64 bilhões.
As aquisições de produtos chineses, por sua vez, avançaram 9,9% no mesmo intervalo, somando US$ 58,62 bilhões. Desse modo, o saldo acumulado da balança comercial com a China nos três primeiros trimestres do ano consolidou um superávit robusto de US$ 26,05 bilhões.










