As taxas dos DIs de longo prazo despencaram mais de 130 pontos-base em São Paulo, impulsionadas pela reação otimista dos investidores ao resultado do primeiro turno da disputa presidencial. Enquanto isso, os contratos de curto prazo passaram a projetar cerca de 15% de probabilidade de uma redução mais agressiva da taxa Selic na reunião de novembro.

Impacto nos contratos futuros de juros No encerramento da sessão, a taxa do Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2028 ficou cotada a 12,665%, recuando 84 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2035 fechou em 12,8%, registrando uma queda expressiva de 133 pontos-base frente aos 14,131% anteriores.

A reação da bolsa e do câmbio O otimismo generalizado teve como gatilho a contagem de votos do último domingo, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança com 47,03% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Stelle (PT), que obteve 45,16%. Entre os operadores financeiros, avaliou-se que uma eventual reversão desse quadro no segundo turno, agendado para o dia 25 de outubro, tornou-se improvável.

A desconfiança do mercado em relação a Lula contrasta com a visão de que Flávio tende a priorizar o equilíbrio das contas públicas, embora suas diretrizes fiscais ainda careçam de maior clareza. Esse entendimento provocou uma descompressão mais acentuada nos prêmios de risco dos vértices longos, que costumam ser mais sensíveis a incertezas fiscais. Durante a tarde, a taxa para janeiro de 2035 chegou à mínima intradia de 12,735%, acompanhando a valorização do câmbio, que rompeu a barreira de R$ 5, e a disparada do Ibovespa para patamares acima de 209 mil pontos.

“Mas há uma diferença importante entre expectativa e entrega. É justamente essa distância que deverá determinar quanto do movimento de hoje será sustentável”, alertou Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

O analista também destacou que o partido de Flávio assegurou as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

“Uma eventual vitória de Flávio acompanhada por um Congresso mais conservador poderia, em tese, facilitar a aprovação de reformas e medidas de contenção fiscal. Mas este é também o primeiro grande ponto de atenção”, disse Saravalle. “Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista.”

Expectativa de corte na taxa Selic Em paralelo, fontes informaram que a campanha governista estuda a possibilidade de indicar o vice-presidente Geraldo Alckmin para o comando do Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato, como estratégia para atenuar as resistências do mercado financeiro durante a nova fase da eleição.

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No segmento de curto prazo, o alívio nas taxas refletiu a expectativa de que o Banco Central possa acelerar o afrouxamento monetário caso o candidato do PL confirme o favoritismo. A precificação atual aponta para a chance de cortes na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

“O janeiro 2029 cai impressionantes 114 pontos-base, e a probabilidade de corte de 50 pontos em novembro vem à mesa, assim como a continuação de cortes até pelo menos meados de 2027”, comentou à tarde Lais Costa, analista da Empiricus Research.

A curva de juros passou a apontar 15% de chance de um corte de 50 pontos-base na Selic no penúltimo mês do ano, enquanto a probabilidade de um ajuste de 25 pontos-base ficou em 85%. Antes do pleito, as apostas se dividiam entre a estabilidade e a redução moderada.

Cenário externo e inflação Todo esse ajuste nos mercados brasileiros ocorreu de forma descolada do ambiente internacional, onde os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano voltaram a avançar. O cenário doméstico também ignorou, ao menos momentaneamente, os alertas de analistas sobre potenciais pressões inflacionárias decorrentes do conflito no Oriente Médio — que afeta os preços de combustíveis — e dos impactos econômicos associados ao fenômeno climático El Niño.