O Brasil alcançou a 8ª colocação no ranking global de conhecimentos sobre cibersegurança e privacidade na internet, subindo duas posições em comparação ao resultado obtido no ano passado, quando figurava em 10º lugar.
Pesquisa anual mapeia hábitos digitais no mundo Os dados foram divulgados pelo National Privacy Test 2026, estudo realizado anualmente pelo provedor de serviços de rede NordVPN. A edição atual reuniu mais de 23 mil participantes espalhados por 167 nações, que responderam a questionários focados em rotinas digitais, defesa de dados pessoais e exposições a riscos virtuais. Na liderança geral ficou Singapura, somando 52 pontos, seguida pela Polônia com 51 pontos e, empatadas na terceira posição, Alemanha e Finlândia com 50 pontos. O Brasil atingiu a marca de 44 pontos.
Pontos fortes dos brasileiros na proteção de dados O levantamento revelou que a população nacional possui alto grau de familiaridade com procedimentos tradicionais de segurança na rede. Entre os entrevistados, 95% demonstram saber como criar senhas fortes, 89% compreendem quais informações ficam expostas para seguidores nas redes sociais e 85% identificam quais categorias de empresas têm capacidade de recolher dados de navegação.
Outros indicadores também superaram a média internacional: 64% entendem a relevância de manter softwares atualizados, superando em seis pontos percentuais a média mundial, enquanto 62% sabem que a Meta realiza coleta de dados mesmo de indivíduos que não possuem perfis nas redes sociais da empresa, ficando dois pontos acima da média global.
Dificuldades em Wi-Fi público e ferramentas de trabalho Apesar do bom desempenho em práticas consolidadas, o estudo apontou fragilidades expressivas em áreas específicas. Somente 2% dos participantes souberam responder adequadamente sobre a utilização segura de redes públicas de Wi-Fi, apenas 5% demonstraram domínio sobre o gerenciamento de dados compartilhados mediante permissões concedidas a aplicativos, e unicamente 8% identificaram questões de privacidade associadas ao uso de ferramentas de IA no ambiente corporativo.
Para Marijus Briedis, CTO da NordVPN, a situação reflete a distância entre a percepção dos perigos e a execução de medidas práticas de mitigação. “A questão exige distinguir diferentes tecnologias e compreender quais delas podem contribuir para a proteção da privacidade”, explicou Briedis à CNN Brasil.
Desempenho abaixo da média em inteligência artificial No que diz respeito à inteligência artificial e aos deepfakes — tecnologia que manipula áudios, vídeos e imagens para falsificar a identidade de pessoas reais —, o Brasil registrou índices inferiores à média mundial. Apenas 46% dos brasileiros identificaram corretamente conteúdos gerados ou alterados por IA, contra 50% da média global. Em fraudes envolvendo a mesma tecnologia, 64% reconheceram as situações de golpe, enquanto a média mundial alcançou 74%.
Classificação final dos usuários No panorama geral, 58% dos brasileiros foram enquadrados na categoria de “Cyber Tourists”, perfil caracterizado por usuários que detêm noções básicas de privacidade, mas ainda incorrem em falhas frequentes. Em contrapartida, apenas 2% atingiram o patamar máximo de proficiência, sendo classificados como “Cyber Star”.










