O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) chegou à véspera do pleito em situação de empate técnico na disputa pelo governo do Ceará. Líder absoluto nas primeiras semanas de campanha, o candidato do PSDB viu derreter uma vantagem que chegou a ser de 19 pontos percentuais sobre o atual governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT). A guinada na corrida eleitoral ocorreu após adversários intensificarem ataques focados na aproximação do tucano com o núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A queda na vantagem de Ciro Gomes De acordo com levantamento do instituto Datafolha divulgado neste sábado (3/10), véspera da votação, Elmano aparece com 50% dos votos válidos, enquanto Ciro registra 47%, configurando empate técnico. No panorama dos votos totais, o petista pontua 46% ante 44% do tucano. O contraste é evidente em relação ao mês de agosto, período em que Ciro liderava com folga ao somar 52 das intenções de voto, contra 33 do adversário petista.
Impacto da aliança com o PL Antigo rival de Jair Bolsonaro nas disputas presidenciais de 2018 e 2022, Ciro firmou aliança com o PL e passou a contar com o respaldo de figuras de extrema direita no estado nordestino. A guinada estratégica foi amplamente explorada pela campanha petista na televisão. Propaganda eleitoral exibiu falas cruzadas do tucano e de Bolsonaro, gerando forte apelo visual e político. A ofensiva gerou embate jurídico, com Ciro obtendo na Justiça 29 minutos de direito de resposta veiculados em 58 inserções que tentavam colar sua imagem à do ex-presidente.
Crescimento da rejeição e foco no eleitorado bolsonarista O desgaste político refletiu diretamente nos índices de rejeição ao candidato do PSDB, que saltaram de 21% em agosto para 29% na pesquisa Datafolha do dia 23 de setembro. Em contrapartida, o tucano consolidou forte penetração justamente entre o eleitorado alinhado ao bolsonarismo: o mesmo levantamento apontou que 89% dos eleitores inclinados a votar em Flávio Bolsonaro para a presidência declaravam apoio a Ciro no âmbito estadual.
Tentativa de distanciamento na reta final Buscando estancar a perda de votos nas horas decisivas do pleito, Ciro tentou minimizar os vínculos com aliados de extrema direita. Questionado neste sábado sobre o respaldo recebido do senador Flávio Bolsonaro, o candidato declarou que o parlamentar “não tem a menor relevância” no Ceará.
O ocaso de uma trajetória política Aos 68 anos e com um histórico que inclui quatro investidas ao Palácio do Planalto e décadas de hegemonia política no Ceará, Ciro retornou à disputa pelo governo estadual 32 anos após encerrar seu primeiro mandato executivo local. Uma eventual derrota para Elmano após iniciar a corrida com ampla margem de vantagem tende a ser interpretada pelos opositores como o encerramento definitivo da era Ciro Gomes na política cearense.










