Pesquisadores descobriram o segredo biológico por trás da incrível resistência do isópode gigante, um crustáceo que habita a escuridão dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e consegue passar mais de cinco anos sem se alimentar.
Anatomia adaptada às profundezas
Parentes distantes do tatuzinho-de-jardim, esses animais possuem um exoesqueleto rígido que funciona como uma armadura contra a pressão esmagadora. Eles contam com 14 patas articuladas e podem atingir mais de meio metro de comprimento, tamanho comparável ao de um cão de pequeno porte. Diante de ameaças, utilizam um mecanismo de autodefesa e se enrolam em uma bola blindada.
Estratégia de sobrevivência na escuridão
Habitando profundidades entre 300 e quase 3.000 metros, as espécies Bathynomus doederleini e Bathynomus jamesi adotaram uma estratégia de acumular energia. O estômago desses crustáceos ocupa cerca de dois terços da cavidade corporal, permitindo que devorem grandes quantidades de carcaças quando encontram alimento no leito marinho. Bactérias presentes no sistema digestivo auxiliam no armazenamento prolongado de gorduras.
O truque genético e o futuro da ciência
A maior revelação do estudo publicado na revista científica Cell foi a identificação do gene ND1 no DNA do animal, adquirido por transferência horizontal de genes de uma bactéria simbiótica. Esse gene atua como um interruptor metabólico que reduz drasticamente o consumo energético em temperaturas frias e alta pressão. Compreender esses mecanismos pode trazer avanços para a medicina, robótica e estudos sobre as mudanças climáticas.










