O Ministério Público do Estado de São Paulo e a Receita Federal deflagraram a Operação Crédito Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto, com o objetivo de desarticular um complexo esquema de lavagem de capitais. Entre os principais alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos.
Investigação aponta infiltração no setor de combustíveis As autoridades apontam que a rede criminosa foi estruturada pelo Primeiro Comando da Capital para se infiltrar no mercado de combustíveis e adquirir uma das maiores distribuidoras do país, a Terrana. Ao todo, a ofensiva cumpre mandados de busca e apreensão em 29 endereços distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, alcançando 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas.
Conexões com lideranças criminosas e operadores Segundo o Ministério Público, Humberto e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, atuaram em coautoria com chefes da facção criminosa, como Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”, para viabilizar a compra da distribuidora. Paralelamente, Antônio Carlos Freixo Junior, apelidado de “Mineiro”, é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. O empresário firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, e sua empresa teria sido utilizada para viabilizar repasses destinados à produção do filme “Dark Horse”.
Engenharia financeira e triangulação O esquema consistiu em duas etapas principais de ocultação patrimonial. Inicialmente, os proprietários da Usina Itajobi foram blindados por meio de fundos de investimento. Posteriormente, a organização criminosa injetou R$ 100 milhões nas contas da usina, valor que transitou rapidamente por fintechs e empresas ligadas ao grupo, como a Duvale e a Aster Petróleo.
A partir daí, os recursos foram aplicados no Fundo Radford, único cotista da usina. Esse fundo aplicou o montante em Certificados de Depósito Bancário Vinculados emitidos pelo Banco Genial. Com esse lastro, a instituição financeira concedeu empréstimos via Cédulas de Crédito Bancário para duas empresas recém-criadas com capital social de apenas R$ 1 mil: a Berna Holdings Ltda. e a Branson Holdings Ltda., que utilizaram o dinheiro para comprar integralmente a distribuidora Terrana e o Fundo Derby 44.
Posicionamento dos citados Em nota oficial, o Banco Genial declarou:
“O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição. Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis. No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época. A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles. Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados. A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.”
A defesa de Antônio Carlos Freixo Junior informou que não vai se manifestar sobre o caso. Os demais citados seguem tendo o espaço aberto para eventuais esclarecimentos.










